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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Guerra à vista



EUA: Congresso apoia ataque à Síria, mas critica não ter sido consultado antes




  • 07/04/2017 16h15
  • Atlanta (EUA)
Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil
Após o lançamento de mísseis pelos Estados Unidos contra a base militar síria em Shayrat, perto da cidade de Homus, apoiadores e críticos do governo de Donald Trump no Congresso posicionaram-se  sobre a ação "surpresa", efetuada na madrugada de hoje (7) (horário local sírio).  A maioria dos congressistas manifestou apoio, embora muitos tenham reclamado do fato de o Congresso não ter sido consultado pelo presidente antes da iniciativa.

O senador republicano John McCain, um forte crítico da administração de Trump, emitiu um comunicado conjunto, assinado também pela senadora Lindsey Graham, da Carolina do Norte. "Saudamos as habilidades e profissionalismo das Forças Armadas norte-americanas que realizaram os bombardeios na Síria", diz o texto, divulgado na noite desta quinta-feira (6).

O líder da minoria democrata no Congresso, Chuck Schumer, apoiou a decisão de Trump com relação ao ataque, mas disse que o Parlamento deveria ter sido consultado antes do lançamento dos mísseis. "Sabemos que Bassar al-Assad [presidente da Síria] cometeu atrocidades[...], ele terá de pagar, e agora é a hora certa de fazer isso", declarou.

O governo Trump justificou a ação independente, ressaltando a "emergência e a urgência de uma ação militar direta", após a acusação do uso de armas químicas pelo governo sírio na última terça-feira (4).

A senadora republicana  da Califórnia Bárbara Lee chamou o bombardeio de "ato de guerra" em sua conta no Twitter e disse que o Congresso deve discutir a ação para um posicionamento sobre o tema.

Já o senador Bernie Sanders, ex-candidato presidencial e representante da ala mais progressista do Partido Democrata, escreveu em sua conta no Facebook que o governante sírio, Bassar al-Assad, está no topo da lista dos "criminosos de guerra" devido ao uso de armas químicas contra civis no país. Sanders disse que, embora a situação na Síria seja "inimaginável", os Estados Unidos, como maior potência mundial, têm a responsabilidade de explicar ao mundo e ao povo norte-americano quais os objetivos da escalada militar iniciada com os bombardeios.

Saiba Mais
"Precisamos saber como este ataque se encaixa no objetivo mais amplo de uma soluação política, que é a única maneira de acabar com esta guerra devastadora", afirmou Sanders.

Ele lembrou também que a Constituição norte-americana exige que o presidente vá ao Congresso pedir autorização para esse tipo de ação.

O ex-presidente Barack Obama não se pronunciou sobre os ataques, bem como a ex-candidata democrata Hillary Clinton.

Repercussãoa
Na mídia norte-america, os ataques foram criticados pelo fato de o Congresso não ter sido consultado, mas vários artigos e reportagens relativizaram a necessidade de consulta. El País publicou um artigo em que destaca que Donald Trump sai como "vencedor" depois de sua primeira intervenção militar, que também é a primeira dos Estados Unidos diretamente contra o governo sírio desde o ínicio da guerra.

The Washington Post considerou o ataque, realizado em plena reunião bilateral com a China, um recado estratégico do governo Trump aos chineses, que não querem ceder à pressão norte-americana sobre outro tema que preocupa o país e o mundo: o programa de mísseis nucleares da Coreia do Norte. A China resiste ao pedido dos Estados Unidos de interromper a parceria com a Coreia do Norte para pressionar o país a desistir dos planos nucleares. Por sua vez, a China também afirmou que não concorda com o ataque à Síria sem que a Organização das Nações Unidas (ONU) tenha autorizado a ação.

A imprensa norte-americana também comentou a mudança de posicionamento de Donald Trump em relação ao tema. A CNN lembrou que, anteriormente, Trump era contrário a um ataque direto ao governo de Bashar al-Assad. A rede afirmou que a mudança na visão de Trump pode ter começado mesmo antes do ataque químico de terça-feira. Para alguns analistas, uma intervenção direta vinha sendo estudada há algum tempo pelo Pentágono e a Secretaria de Estado, sob o comando de Rex Tillerson.

Mas outros meios de comunicação não acreditam na hipótese de que o ato tenha sido premeditado. O jornal USA Today ouviu funcionários (não identificados), segundo os quais as imagens de civis, sobretudo crianças, teriam incomodado profundamente o presidente Trump e que isso o teria motivado a determinar o ataque.

O jornal New York Times disse que Trump agiu "no instinto" e assumiu um dos maiores riscos para sua política externa. Entretanto, em sua análise, o jornal admite que, se a intuição de Trump estiver certa, o efeito pode ser positivo para a popularidade do presidente, que em quase 80 dias de governo registra índices de aprovação inferiores a 40%.

Edição: Amanda Cieglinski


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Ainda vamos esperar Hollywood



Oscar 2017 é marcado por gafe histórica e críticas a Trump

  • 27/02/2017 08h38
  • Paris


Radio France Internationale
Hollywood foi palco neste domingo (26) da grande festa do cinema internacional, o Oscar 2017. Este ano a premiação foi movimentada, com muitas críticas ao presidente norte-americano Donald Trump e uma gafe histórica: o anúncio equivocado do prêmio de melhor filme para La La Land - Cantando Estações. As informações são da Radio France Internationale.

O final dessa festa ninguém vai esquecer porque o erro foi constrangedor. Os atores veteranos Faye Dunaway e Warren Beatty eram os responsáveis por apresentar o prêmio de melhor filme e anunciaram o musical La La Land - Cantando Estações como o vencedor. De fato, o longa era o grande favorito, com 14 indicações.

Porém, quando os produtores de La La Land chegaram ao palco e abriram o envelope, perceberam que o nome impresso era o de Moonlight - Sob a Luz do Luar. A saia justa foi sem igual, sem contar a grande confusão no palco: ninguém sabia o que fazer e o que estava acontecendo.

Depois, vieram as desculpas. O apresentador do Oscar 2017, Jimmy Kimmel, quis saber porque Warren Beatty anunciou La La Land - Cantando Estações no lugar de Moonlight - Sob a Luz do Luar. O ator explicou que estava com o envelope com a informação equivocada, que no qual estava escrito Emma Stone – La La Land. Momentos antes, a atriz havia recebido o prêmio de melhor atriz por sua atuação no musical.

A situação foi muito constrangedora para todos, mas, no final, a estatueta ficou mesmo com Moonlight - Sob a Luz do Luar. O longa, que conta a história de um menino da periferia de Miami, também recebeu o prêmio de melhor roteiro adaptado e melhor ator coadjuvante, para Mahershala Ali, primeiro ator muçulmano a receber o Oscar em 89 anos da premiação.

Na manhã desta segunda-feira (27), o escritório responsável pela entrega das estatuetas pediu desculpas e explicou que, de fato, Faye Dunaway e Warren Beatty receberam o envelope com a informação errada.

 O diretor de Moonlight, Barry Jenkins, recebe o Oscar de Melhor Filme após confusão com entrega da estatueta para La La Land EPA/Lusa/Aaron Poole/AMPAS/Direitos Reservados 

Grande vencedor da noite
La La Land - Cantando Estações não ficou com a estatueta de melhor filme, mas foi o filme que mais ganhou troféus, seis estatuetas no total: melhor atriz, música original, trilha sonora, fotografia, design de produção e diretor, para Damien Chazelle, 32 anos, que se tornou o cineasta mais jovem a ganhar o tão concorrido Oscar de melhor diretor.
Já melhor ator acabou sendo uma surpresa, Casey Affleck levou o Oscar por Manchester à Beira-mar. O filme ganhou também a estatueta de roteiro original.

O título de melhor atriz coadjuvante foi para Viola Davis, por Um Limite Entre Nós, que fez o discurso mais emocionante da noite, falando sobre a importância de contar histórias de pessoas comuns. O longa foi dirigido por Denzel Washington, que também atua e foi indicado como melhor ator. A trama se passa na década de 1950 e conta a vida de um homem negro que sonhava em ser jogador de beisebol e se tornou um catador de lixo.

Noite marcada por críticas a Trump
Foram três horas e meia de cerimônia costuradas inteiramente com alfinetadas – diretas e indiretas – ao presidente Donald Trump. O apresentador Jimmy Kimmel já começou a festa pedindo desculpas aos espectadores do mundo inteiro que, segundo ele “agora nos odeiam”. Ao citar a atriz francesa e uma das indicadas ao Oscar, Isabelle Huppert, frisou: “aqui não discriminamos nenhuma nacionalidade”. Kimmel chegou até a mandar um Twitter ao vivo para Trump, a rede social preferida do bilionário.

O ator Gael García Bernal foi mais direto. “Como mexicano, como latino-americano, como imigrante trabalhador, sou contra qualquer muro que nos separe”, declarou. Já o diretor iraniano Asghar Farhadi, que recebeu o prêmio de melhor filme estrangeiro por O Apartamento, decidiu não comparecer à cerimônia, “em respeito aos imigrantes banidos dos Estados Unidos”, explicou em carta.

O sírio Khaled Khateeb, um dos diretores do documentário vencedor de melhor curta-metragem, Os Capacetes Brancos, foi impedido de comparecer à cerimônia porque teve sua entrada nos Estados Unidos negada pelo serviço de imigração.