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sexta-feira, 22 de março de 2019

Emprego


Chanceler descarta emprego das Forças Armadas na Venezuela
Araújo diz que serão feitos esforços diplomáticos para dirimir crise
Publicado em 20/03/2019 - 17:08
Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Brasília

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou hoje (20) que o governo do Brasil não trabalha com a possibilidade de emprego das Forças Armadas na Venezuela. A hipótese de intervenção militar no país vizinho foi descartada, anteriormente, pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros.
“O Brasil tem capacidade de atuação sobretudo diplomática e política e nós vamos tentar usar ao máximo [esses instrumentos]”, disse o chanceler. A crise venezuelana atinge a economia, política e a área social. Para Araújo, “é preciso agir” no esforço de impedir o agravamento da situação, mas as medidas não foram definidas.

Presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) concede entrevista à imprensa

Alcolumbre: “sempre defendi a aproximação do presidente no entendimento com o Congresso”     (Arquivo/José Cruz/Agência Brasil)

“Coincidimos [com os Estados Unidos] inteiramente no caráter inaceitável do que está acontecendo na Venezuela, em termos de tragédia humana, uma sociedade que está sendo esfacelada por um regime ditatorial”, afirmou o chanceler.
Araújo se referiu à permanência do presidente Nicolás Maduro no poder e nos impactos sobre a sociedade venezuelana da crise, provocando fome, desemprego e fuga de imigrantes.
“Não entramos em detalhes do que fazer frente a isso. Há uma convicção de que é preciso agir, de que é preciso não deixar que se volte a uma normalidade totalmente espúria na Venezuela. Os Estados Unidos têm capacidade de atuação através de sanções econômicas que ainda podem ser ampliadas”, disse Araújo em coletiva de imprensa.
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA)
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante uma entrevista coletiva no Rose Garden da Casa Branca, em Washington (EUA) - Isac Nóbrega/PR

Ontem (19), antes de retornar ao Brasil, o presidente Jair Bolsonaro disse em Washington ser favorável às negociações diplomáticas na tentativa de encerrar o impasse na Venezuela. Um grupo de aproximadamente 50 nações, incluindo o Brasil, apoia Juan Guaidó, autodeclarado presidente interino.
No encontro com Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que todas as alterantivas estão sobre a mesa no que se refere à Venezuela. 

Edição: Renata Giraldi


sábado, 16 de março de 2019

LEIS DE ARMAS

Após massacre, premiê da Nova Zelândia promete mudar leis de armas

Publicado em 16/03/2019 - 14:04
Por Agência Brasil*  Brasília


Após o atentado ontem (15) contra duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, que deixou 49 mortos, a primeira-ministra do país, Jacinda Ardern, anunciou neste sábado (16) mudanças na legislação sobre armas.
A premiê disse que o principal suspeito pelo ataque – o australiano Brenton Tarrant, de 28 anos – estava em posse de cinco armas, incluindo duas semiautomáticas e duas espingardas. As armas foram compradas depois que ele obteve a licença correspondente, em novembro de 2017. Segundo Ardern, algumas das armas foram modificadas para se tornarem ainda mais mortais.
"Enquanto seguem os trabalhos para esclarecer a sequência de fatos que levaram tanto à licença quanto à posse das armas, posso assegurar uma coisa: nossas leis de armas irão mudar", afirmou, sem dar detalhes. Ardern disse que haverá uma "resposta rápida" de seu governo e que uma proibição de armas semiautomáticas será avaliada.
Tarrant compareceu hoje ao tribunal de Christchurch, onde foi acusado de assassinato. Ele é suspeito de matar 41 pessoas na mesquita de Al Noor, no centro de Christchurch, antes de dirigir cerca de cinco quilômetros até a mesquita de Linwood, onde matou mais sete pessoas. A 49ª vítima do massacre morreu no hospital.
Descrito por autoridades como um extremista de direita, Tarrant não tinha antecedentes criminais. A polícia investiga como foi possível que ele permanecesse longe da mira do serviço de inteligência, apesar de suas visões extremistas.
Antes do ataque, ele publicou na internet um manifesto repleto de teorias populares de conspiração da extrema direita sobre como europeus brancos supostamente estariam sendo substituídos por imigrantes não brancos. O Zelândia é mencionado na seção em que o terrorista faz críticas à diversidade racial. Com uma câmera presa ao capacete que usava, Tarrant transmitiu ao vivo pelo Facebook o massacre na mesquita Al Noor, durante 17 minutos.
O australiano vivia em Dunedin, na Ilha Sul da Nova Zelândia, da qual Christchurch é a maior cidade. Ele era membro do clube de tiro Bruce Rofle Club, de acordo com a mídia neozelandesa. Segundo membros do clube, ele praticava com frequência tiros com um AR-15, fuzil semiautomático leve.
O AR-15 é uma versão semiautomática do fuzil militar americano M16. A idade mínima para a posse de armas na Nova Zelândia é 16 anos, ou 18 no caso de armas semiautomáticas de estilo militar.
Após o massacre desta sexta-feira, o presidente da Associação Policial da Nova Zelânia, Chris Cahill, apoiou leis sobre armamentos mais rígidos, afirmando que as armas usadas nas mesquitas foram proibidas na vizinha Austrália após o massacre de Port Arthur, em 1996, no qual 35 pessoas morreram. O AR-15 foi usado no atentado, assim como numa série de outros ataques a tiros nos Estados Unidos.
Já houve tentativas na Nova Zelândia de endurecer as leis sobre armas de fogo, mas um forte lobby e uma forte cultura de caça impediram os esforços. Estima-se que haja 1,5 milhão de armas de fogo no país, cuja população é de apenas 5 de pessoas. Apesar disso, os índices de violência ligados a armas de fogo são baixos.

*Com informações da Deutsche Welle (agência pública da Alemanha)

Edição: Graça Adjuto

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Brasil precisa falar mais


Ministro vê riscos para sistema de solução de controvérsias da OMC
Aloysio Nunes discutiu modernização do órgão em reunião no Canadá
Publicado em 25/10/2018 - 19:09
Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Brasília




Ao participar hoje (25) da reunião ministerial do Grupo de Fortalecimento e Modernização da Organização Mundial de Comércio (OMC), em Ottawa, Canadá, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, alertou para os riscos de paralisação do mecanismo de solução de controvérsias do organismo multilateral. O Brasil foi um dos 12 países convidados pelo Canadá para discutir o futuro da organização.

Desde o ano passado, os Estados Unidos têm resistido a liberar a nomeação de novos juízes para o Órgão de Apelação da OMC, composto por sete membros. Atualmente, o tribunal tem apenas quatro juízes, o que acarreta atrasos na análise de disputas comerciais entre os países.

Segundo o Itamaraty, o chanceler reafirmou a posição brasileira de que é fundamental garantir o pleno funcionamento do instrumento responsável pela fiscalização e punição das violações de regras da OMC e que o órgão desempenha um papel fundamental para o cumprimento das normas do sistema multilateral de comércio.

“Lembrou que todos os países-membros eram usuários do mecanismo e que, por meio dele, haviam obtido a reversão de medidas irregulares aplicadas a suas exportações por outros países. Afirmou que o Brasil aceita discutir o aprimoramento do sistema, e que aguardava propostas concretas de melhoria do órgão pelos países-membros mais críticos ao sistema para poder discutir seu aperfeiçoamento”, diz a nota do ministério.

O diretor-geral da OMC, embaixador Roberto Azevêdo, informou recentemente que, em 2018, foi batido o recorde de número de disputas abertas na instituição - fruto das crescentes tensões comerciais no mundo. “Cerca de 30 novas disputas foram iniciadas apenas este ano. Esse já é o maior número de novos casos em 16 anos – e estamos ainda em outubro”, afirmou Azevêdo.

Brasil-Canadá
A ministra de Relações Exteriores do Canadá, Chrystia Freeland, e o chanceler Aloysio Nunes, se reuniram para o terceiro Diálogo de Parceria Estratégica entre os dois países em que analisaram temas da agenda bilateral e global, principalmente nas áreas de cooperação em defesa, mobilidade e assistência a refugiados e migrantes. Como parceiros na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Grupo de Lima, os dois ministros discutiram a crise na Venezuela, “em particular o impacto regional da recente migração externa em massa”.

“Comprometemo-nos a acelerar as negociações para um acordo de comércio livre, ambicioso e abrangente entre o Canadá e os países do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – e continuar a melhorar a colaboração para implementar o Acordo de Paris e continuar a coordenação bilateral na liderança até a Conferência sobre Mudança Climáticas de Katowice, Polônia, em dezembro”, disseram os ministros em declaração conjunta.
Saiba mais
Edição: Davi Oliveira

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Os povos se cuidando


Países vão aprovar pacto global para migração em cúpula no Marrocos
Publicado em 26/09/2018 - 07:45
Por Ana Cristina Campos – Repórter da Agência Brasil Brasília




Estados membros da Organização das Nações Unidas (ONU) vão se reunir nos dias 10 e 11 de dezembro em Marrakech, no Marrocos, para adotar o texto do Pacto Global para Migração Segura, Ordenada e Regular (em tradução livre). Na conferência intergovernamental, os países vão delinear as iniciativas para implementar o acordo internacional.

Segundo a ONU, o pacto global será o primeiro compromisso internacional concebido para que nações e comunidades lidem melhor com a migração no mundo e todas as suas dimensões em benefício de imigrantes e refugiados.

O documento compreende 23 objetivos para a melhor gestão do fenômeno migratório em níveis locais, regionais e global, e está baseado nos princípios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e nos compromissos firmados na Declaração de Nova York para Refugiados e Migrantes, adotada em setembro de 2016 na Assembleia Geral da ONU.

Road to Marrakech
Às margens da 73ª Assembleia Geral da ONU, a representante especial para a Migração Internacional, a canadense Louise Arbour, Bahrein, Brasil, Canadá, Alemanha, Indonésia, México, Filipinas, Ruanda, Turquia e Marrocos vão patrocinar nesta quarta-feira (26) o Road to Marrakech (Caminho para Marrakech), reunião preparatória para a cúpula marroquina.

Segundo a ONU, o evento paralelo de alto nível será uma oportunidade para que governos apresentem as iniciativas já postas em prática em relação a imigrantes e refugiados assim como os tipos de ações, parcerias e ideias inovadoras que vislumbram para implementar o Pacto Global nos próximos anos em âmbitos nacional e regional.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e a presidente da 73ª Assembleia Geral, a equatoriana María Fernanda Espinosa Garcés, farão discursos na abertura do evento, que será coordenado pela representante especial para a Migração Internacional.

Brasil
Pelo Brasil, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira vai discutir, no evento paralelo, os desafios da imigração em massa no mundo que serão abordados na cúpula intergovernamental. A imigração de venezuelanos para os países da América do Sul será um dos pontos a serem tratados.

“O copatrocínio do Brasil ao evento Road to Marrakesh é uma forma de manifestar apoio à adoção do Pacto Global sobre Migrações e à sua posterior implementação”, diz, em nota, o Ministério das Relações Exteriores.

Ao discursar ontem (25) na abertura da 73ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Michel Temer destacou que o diálogo e a solidariedade estão na origem do Pacto Global sobre Migração.

“Contam-se mais de 250 milhões de migrantes em todo o mundo. Trata-se de homens, mulheres e crianças que, ameaçados por crises que se prolongam, são levados a tomar a difícil e arriscada decisão de deixar seus países. É nosso dever protegê-los, e é esse o propósito do Pacto Global sobre Migração”, disse.
Edição: Kleber Sampaio