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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Que Zika!



Zika pode bloquear ativação do sistema imunológico, diz pesquisa da Fiocruz
Uma pequena parte da carga genética do Zika pode bloquear a ativação de um componente do sistema imune considerado importante para combater infecções virais








O vírus Zika é capaz de bloquear a ativação do sistema imunológico da pessoa infecctada. A constatação veio a partir do mapeamento genético do vírus que circula em Pernambuco, sequenciado pela primeira vez no estado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco em parceria com profissionais da Universidade de Glasgow, no Reino Unido.

O artigo com os resultados foi publicado ontem (5) na revista PLOS Neglected Tropical Disease. O sequenciamento genético foi realizado a partir de uma amostra coletada de um paciente infectado em 2015, no início da epidemia.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Rafael França, um dos responsáveis pela pesquisa, uma pequena parte da carga genética do Zika pode bloquear a ativação de um componente do sistema imune considerado importante para combater infecções virais: o interferon, que combate a replicação do vírus.

“Se o Zika bloqueia a produção desses interferons ele vai conseguir replicar, então ele vai ter um processo infeccioso melhor, vai conseguir infectar muito mais a célula, vai ser mais agressivo”, disse França.

Essa caracterísitica é encontrada em outros vírus da mesma família, como o vírus da dengue, segundo o pesquisador. No caso do Zika, porém, a habilidade é ainda maior: “É um vírus que tem uma vantagem evolutiva em relação ao vírus da dengue”.

A descoberta deve ajudar outros pesquisadores a formular possíveis métodos terapêuticos, já que se identificou uma caracterísitica do vírus que pode ser combatida. “A gente pode interferir no [gene] que o vírus bloqueia no sistema imune, e tentar bloquear essa capacidade do vírus como uma forma de terapia”, exemplifica Rafael.

Vírus mutante

Com o mapeamento, os pesquisadores identificaram que o vírus Zika de Pernambuco tem semelhanças com o vírus encontrado na Ásia, como outras pesquisas já haviam mencionado. Eles também descobriram que a assinatura genética é a mesma de vírus Zika isolados em outras regiões do Brasil. “Ou seja, é o mesmo vírus que circula no país todo, provavelmente”, indica Rafael França.

Apesar de similar, o Zika analisado sofreu mutações em relação ao encontrado na Ásia. Questionado se essas mutações poderiam se relacionar ao maior número de casos de síndrome congênita de Zika identificados em Pernambuco e no nordeste, Rafael França afirma que nessa fase da pesquisa não é possível identificar se há vínculo.

“Ainda é cedo, porque a gente ainda não tem os genomas completos dos outros lugares. A partir do momento que outros pesquisadores forem sequenciando os vírus e fazendo a leitura do genoma, a gente vai poder comparar”, explica.

O próximo passo da pesquisa, que já está em curso, é estudar a evolução do vírus até agora, a partir de outros mapeamentos genéticos de amostras mais recentes. “A gente já sabe como fazer, já tem um quantitativo de amostras grande. O que a gente pretende fazer agora é um comparativo dos vírus que a gente tem desde o início de 2015 até o fim de 2016, para ver se ele está se adaptando ou se está havendo mutação e se a mutação poderia estar relacionada com uma adaptação na população”.

Recursos
O artigo publicado ontem é o primeiro da pesquisa da Fiocruz e da Universidade de Glasgow. Em maio, a Agência Brasil noticiou a dificuldade de liberação de recursos para o estudo. Na ocasião, Rafael França citou os problemas estruturais e de pessoal enfrentados para dar prosseguimento às análises. Segundo ele, os repasses já estão ocorrendo. Outras fontes de financiamento também foram usadas para garantir o andamento da pesquisa.

sexta-feira, 11 de março de 2016

A doença se espalha



Microcefalia é apenas ponta do iceberg de anomalias associadas ao zika, diz OMS
Redação | São Paulo - 10/03/2016 - 11h09
Entidade diz também que transmissão via sexo é mais comum do que se pensava e recomenda que, em caso de gravidez, casais usem camisinha




Dados de pesquisas mais recentes sobre o vírus zika apontam que a "microcefalia é apenas uma das várias anomalias associadas à infecção durante a gravidez", afirmou a diretora da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, nesta terça-feira (08/03).

A entidade afirmou também que a transmissão por meio de relações sexuais é mais comum do que se imaginava. Por isso, a OMS recomenda que em caso de gravidez, os casais adotem o uso de preservativos durante o sexo.

EFE
Vírus zika já foi registrado em 41 países e transmitido no interior de 31

Chan pontuou que as autoridades de cada país não devem aguardar a confirmação científica para tomar medidas em prol da saúde pública. O vírus foi identificado em 41 países, sobretudo nas Américas. Brasil e Colômbia são os mais afetados.

Infecção
A chefe da OMS confirmou que o zika foi detectado no líquido amniótico e "evidências mostram que o vírus pode atravessar a placenta e infectar o feto". O vírus já foi detectado no sangue, no tecido cerebral e no fluído cérebro espinhal de fetos após abortos (naturais ou não) ou em natimortos.
 

Há casos que incluem morte do feto, insuficiência placentária, retardo no crescimento do feto e danos ao sistema nervoso central. Até agora, apenas Brasil e Polinésia Francesa documentaram casos de microcefalia, mas a Colômbia está sob forte vigilância.

Segundo Chan, desde que o Comitê de Emergência foi criado, várias pesquisas reforçaram a "associação entre a infecção de zika e a ocorrência de má formação fetal e de desordens neurológicas".

"Em uma grávida que teve sintomas de zika com 18 semanas, o bebê tinha catarata em um dos olhos, um olho menor que o outro, além de cérebro e cerebelo quase inexistentes", apontou a médica Adriana Melo, da Paraíba, um dos Estados brasileiros com maior número de crianças afetadas, em entrevista ao UOL.

Casos de bebês com sobreposição de dedos, braços e pernas curvadas e até com um braço maior que o outro foram apresentados durante um seminário sobre zika no Recife, que reuniu profissionais de vários Estados do Brasil para compartilharem experiências.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

No Brasil...



Governo obtém vitória contra Cunha em eleição do PMDB




Leonardo Picciani, deputado contrário ao impeachment e pró-Dilma, é reeleito para a liderança do PMDB na Câmara dos Deputados. Cunha perde influência e poder de articulação em formação de comissões. 





Após algumas semanas de tranquilidade, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltaram a medir forças nesta quarta-feira (17/02). Em disputa estava o comando pela liderança do PMDB na Câmara.

O partido tem a maior bancada da Casa, com 69 deputados. Cunha e Dilma apoiaram candidatos diferentes, e o resultado era visto como um termômetro para medir em que ponto está o prestígio ou o desgaste de ambos na Casa. No final, o deputado fluminense Leonardo Picciani venceu a disputa, em votação secreta, por 37 votos contra 30, o que significou uma vitória para Dilma e uma derrota para Cunha.

A reeleição de Picciani indica o que o governo deve esperar da Câmara e de uma parte do PMDB neste ano. O deputado fluminense é um fiel aliado do Planalto, e no ano passado atuou como um dos principais aliados do governo na costura política que tentava barrar o processo de impeachment de Dilma.

Picciani também é favorável à volta da CPMF e às medidas do ajuste fiscal, além de ser um desafeto de Cunha, que no ano passado chegou a articular a sua derrubada do cargo de líder.

Nesta eleição, Cunha articulou a candidatura do deputado paraibano Hugo Motta, que figura entre seus aliados e protegidos. Uma vitória de Motta indicaria mais um ano imprevisível na bancada do partido na Câmara e demonstraria que Cunha ainda têm muita força para avançar com o impeachment e barrar projetos do Planalto.

Na Câmara, o líder da bancada é o responsável por conversar diretamente com todos os deputados do partido e orientar seus votos. Também cabe a ele definir quais membros da sigla vão compor as comissões da Casa e algumas das presidências.

Neste caso, Cunha e Dilma disputavam ter ao seu lado alguém que iria se tornar responsável tanto por indicar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) como os oito membros do PMDB que vão fazer parte da comissão que vai analisar o impeachment de Dilma. Com a responsabilidade nas mãos de um aliado, o Planalto ganha mais fôlego.

Com a derrota de Motta se esgotam as opções para que Cunha influencie decisivamente a formação da comissão. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia anulado a formação de uma chapa avulsa, articulada por Cunha com membros do PMDB contrários a Dilma e que pretendia incluir na comissão um número grande de desafetos do Planalto. A única opção que restava a Cunha era tentar colocar alguém de confiança na liderança para articular as escolhas. 

A derrota também significa que Cunha terá menos poder de articulação na escolha do novo presidente da CCJ, a comissão que pode alterar algumas das decisões do Conselho de Ética da Câmara, que atualmente está analisando um processo de cassação do presidente da Câmara.

Hoje a CCJ é presidida por Arthur Lira (PP-AL), um aliado de Cunha. Além do processo de cassação, Cunha também é alvo de um pedido de afastamento no STF, que deve ser analisado nas próximas semanas.

Durante a disputa, Cunha se empenhou pessoalmente para angariar votos para Mota. O Planalto também jogou com força. Para garantir a vitória, Picciani contou com a volta à Câmara de cinco deputados suplentes mais três titulares licenciados.

Dilma chegou a exonerar temporariamente o ministro da Saúde, Marcelo Castro, para que ele reassumisse seu mandato como deputado federal e votasse em Picciani, tudo isso em meio à crise envolvendo o vírus zika.