segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Movimento para geração de renda e auto estima



Projeto aumenta renda de mulheres negras de comunidades do Rio.

Agencia Brasil
Publicado há 1 dia - em 11 de outubro de 2015 » Atualizado às 9:38
Categoria » Mercado de Trabalho - Portal Geledes













Elas costuram, cozinham, dão oficinas e participam de eventos onde vendem seus produtos, ensinam a amarrar turbantes e falam sobre identidade cultural. Essas são algumas das atividades do projeto Nêga Rosa, desenvolvido em sete territórios do Rio de Janeiro e que atende diretamente a 240 mulheres nas comunidades da Mangueira, Barreira do Vasco, Chatuba de Mesquita, Arará, Jacarezinho, Manguinhos e Tuiuti.





Por Akemi Nitahara Do Agencia Brasil
De acordo com a coordenadora do projeto, Érica Portilho, trabalhando o empoderamento feminino por meio do empreendedorismo e da valorização da identidade, mulheres negras em situação de vulnerabilidade social, ex-presas, mães solteiras e portadoras de necessidades especiais conseguiram passar de uma renda mensal per capita de R$ 450 para R$ 1.500.

Para participar do projeto, as interessadas têm de preencher uma ficha. “A partir disso nós fazemos uma seleção. As outras ficam em um banco de espera. Mas, como nós temos várias atividades abertas, elas também acabam participando e, se houver alguma desistência, elas vão sendo encaixadas e a gente vai conseguindo parcerias em outros territórios”, destaca a coordenadora.

 Érica Portilho conta que as participantes do projeto atuam como multiplicadoras do que aprendemTomaz Silva/Agência Brasil

Érica explica que a ideia é disseminar o máximo possível o conhecimento passado pelo projeto, que já recebeu prêmio da Fundação Banco do Brasil, do Favela Criativa. “Se a gente conseguiu desenvolver uma tecnologia social que foi reconhecida por uma fundação tão importante, a gente acha que ela deve ser disseminada. A gente vai ao território, faz uma prática de uma semana, 20 horas, e aí aquelas mulheres estão prontas para ensinar e multiplicar para outras mulheres.”

Andrea Soares costura, promove oficina de turbante e também participa da coordenação do Nêga Rosa. Para ela, um dos pontos mais importantes do projeto é o resgate da autoestima da mulher negra da comunidade. “Fazer o resgate da sua cidadania, porque hoje a gente tem dentro da escola o programa do estudo da cultura de uma outra etnia, mas isso não é contemplado, então com isso as crianças da comunidade ficam sem identificação. Então a ideia é trazer essa identificação para as mais velhas para que elas também possam replicar com os seus filhos.”
 Vanice Carrera viu no projeto uma oportunidade de fazer compotas para venderTomaz Silva/Agência Brasil

Uma das participantes do projeto, Vanice Carrera, que costura e cozinha, conta que o Nêga Rosa deu força e motivação para ajudar a superar o câncer que enfrenta há mais de dois anos. “Eu tive um problema de saúde e fiquei muito parada. E isso para mim caiu como uma luva, eu não consigo ficar parada, tem um caldo pra fazer, tem uma compota, um doce para entregar, umas costuras. Para mim tá sendo muito bom, passar para as outras pessoas o que eu aprendi. Estou levando, faço quimioterapia. Isso aqui é o que está me mantendo, é muito bom não parar, [é bom] saber que, mesmo com problema, você continua com forças, está sendo útil, produzindo.”

Érica ressalta que os espaços de trabalho montados pelo projeto, com cozinha e máquinas de costura, também podem ser utilizados pelas mulheres para produzir e fornecer para clientes independentemente do Nêga Rosa. Na Mangueira, por exemplo, onde o trabalho começou há um ano, são feitas faixas de cabelo e chapéus para a loja de souvenir da escola de samba da comunidade.

Segundo a coordenadora, o projeto também está em busca de parcerias na área de comércio eletrônico e em novembro começa a trabalhar com meninas de 12 a 18 anos que cumprem medida socioeducativa no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). No dia 31 de outubro, o projeto Nêga Rosa vai ser anfitrião de uma feira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) durante a Conferência de Juventude, na qual estarão presentes 30 empreendedores do estado do Rio de Janeiro.

Outro trabalho está sendo feito para o Comitê Olímpico Rio 2016. O Nêga Rosa venceu um edital de estamparia e vai fornecer 5 mil almofadas para o alojamento dos atletas. “Foram quatro projetos vencedores. A nossa estampa é uma samambaia do mangue, uma planta da flora brasileira. Atrás da almofada, vem contando a história do projeto, em português e inglês e vai ser uma almofada para os atletas levarem para o mundo inteiro”, destaca Érica.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Caminho da paz e entendimento

Chefe de Estado e
primeiro-ministro
saúdam exemplo de democracia do Tribunal Constitucional da Guiné-Bissau










As autoridades cabo-verdianas saudaram o exemplo de democracia dado pelo Tribunal Constitucional da Guiné-Bissau que considerou inconstitucional, na forma e na matéria, o decreto presidencial que nomeou Baciro Djá para o cargo de primeiro-ministro.

Tanto o Presidente da República como o primeiro-ministro de Cabo Verde apelam ao diálogo entre os atores políticos guineenses.

Numa primeira reação, o Chefe de Estado de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, desejou que qualquer solução na Guiné-Bissau passe pelo cumprimento da Constituição e que «tenha em conta a necessidade da estabilidade do país e, sobretudo, o interesse mais fundo dos guineenses, em tranquilidade, paz e a retomada dos caminhos do progresso».

Também o primeiro-ministro cabo-verdiano saudou o exemplo de democracia dado pelo Supremo Tribunal de Justiça da Guiné-Bissau. José Maria Neves disse, em declarações à RCV, que quando leu acórdão do Supremo Tribunal de Justiça ficou «agradavelmente surpreendido e satisfeito» por saber que as instituições estão a funcionar.

«O mais importante num Estado de direito democrático é que os órgãos de soberania funcionem, haja separação de poderes e que o poder judicial possa dizer a última palavra», realçou.

José Maria Neves apelou a um diálogo permanente e paciente entre os atores políticos guineenses para que haja «muita serenidade, muita responsabilidade e um diálogo sincero entre as diferentes instituições para que o povo da Guiné-Bissau saia a ganhar deste processo».

Cabo Verde e Guiné-Bissau têm ligações históricas culturais seculares, tendo, inclusive, lutado juntos pela independência dos dois países.

As cíclicas crises políticas na Guiné-Bissau são intensamente vividas e lamentadas em Cabo Verde.
Daniel Almeida, Cabo Verde


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Desejamos uma África em paz



Presidente português
pede à Guiné-Bissau
que coloque o povo
em primeiro lugar




O presidente de Portugal, Cavaco Silva, pediu hoje (8) aos líderes da Guiné-Bissau que coloquem “em primeiro lugar as preocupações do povo”. Ele afirmou que a comunidade internacional continuará a trabalhar em busca de uma solução para a crise política no país.

Ao final de uma audiência concedida ao presidente do Senegal, Macky Sall, no Palácio de Belém, Cavaco Silva disse que Portugal é solidário com o povo guineense e lembrou que a destituição do governo era “a última coisa desejável”.

Em agosto, o presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, demitiu o primeiro-ministro eleito, Domingos Simões Pereira, nome que voltou a ser apresentado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, que venceu as eleições. O nome, no entanto, foi rejeitado por Vaz, que nomeou para o cargo Baciro Djá, empossado nessa segunda-feira.

“Essa crise política era a última coisa que Portugal desejaria para a Guiné-Bissau neste momento, depois da esperança criada com as eleições do ano passado e depois da conferência de Bruxelas, que disponibilizou apoio financeiro significativo para o desenvolvimento do país”, disse Cavaco Silva.

O presidente lembrou que Portugal e o Senegal continuarão a buscar a normalização na Guiné. O presidente senegalês destacou a necessidade de diálogo entre os líderes políticos, visando a retomar a estabilidade. “Esperamos, com o apoio da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da União Europeia e das Nações Unidas, poder ajudar as autoridades guineenses e a classe política a sair da crise”, afirmou Macky Sall.

08/09/2015 11h19 - Lisboa
Da Agência Lusa

sábado, 22 de agosto de 2015

O genial artista brasileiro, negro e nordestino.

Bispo do Rosário e sua arte de
‘enlouquecer’ os signos

Portal Geledes           



Negro e pobre, maluco e genial. como sempre no Brasil estes atributos aos negros chegam tarde. é a maior nação negra fora da África. e a mais racista, mais cruel. Destaque de Paulo.









Arthur Bispo do Rosário ou Bispo do Rosário (Japaratuba,Sergipe, 14 de maio e 19091 ou, segundo outras fontes, 16 de março de 1911Nota 1 –Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 5 de julho de 19891 ) foi um artista plástico brasileiro.



Considerado louco por alguns e gênio por outros, a sua figura insere-se no debate sobre o pensamento eugênico, o preconceito e os limites entre a insanidade e a arte, no Brasil. A sua história liga-se também à da Colônia Juliano Moreira, instituição criada no Rio de Janeiro, na primeira metade do século XX, destinada a abrigar aqueles classificados como anormais ou indesejáveis (doentes psiquiátricos, alcóolatras e desviantes das mais diversas espécies).

Natural de Japaratuba, no interior do estado de Sergipe – onde nascera em 1909, e para onde jamais retornou – para ingressar, em 1925, na Marinha, Arthur Bispo do Rosário foi negro, pobre e nordestino. Foi boxeador e biscateiro. Entre 1933 e 1937, trabalhou no Departamento de Tração de Bondes, na cidade do Rio de Janeiro. Por fim, como empregado doméstico da família Leone, no bairro carioca do Botafogo.

Na noite 22 de dezembro de 1938, despertou com alucinações que o conduziram ao patrão, o advogado Humberto Magalhães Leoni, a quem disse que iria se apresentar à Igreja da Candelária. Depois de peregrinar pela rua Primeiro de Março e por várias igrejas do então Distrito Federal, terminou subindo ao Mosteiro de São Bento, onde anunciou a um grupo de monges que era um enviado de Deus, encarregado de julgar os vivos e os mortos. Dois dias depois foi detido e fichado pela polícia como negro, sem documentos e indigente, e conduzido ao Hospício Pedro II (o hospício da Praia Vermelha), primeira instituição oficial desse tipo no país, inaugurada em 1852, onde anos antes havia sido internado o escritor Lima Barreto (1881-1922).4

Um mês após a sua internação, foi transferido para a Colônia Juliano Moreira, localizada no subúrbio de Jacarepaguá, sob o diagnóstico de “esquizofrênico-paranoico”.Aqui recebeu o número de paciente 01662, e permaneceu por mais de 50 anos.5

Em determinado momento, Bispo do Rosário passou a produzir objetos com diversos tipos de materiais oriundos do lixo e da sucata que, após a sua descoberta, seriam classificados como arte vanguardista e comparados à obra de Marcel Duchamp. Entre os temas, destacam-se navios (tema recorrente devido à sua relação com a Marinha na juventude), estandartes, faixas de misses e objetos domésticos . A sua obra mais conhecida é o Manto da Apresentação, que Bispo deveria vestir no dia do Juízo Final. Com eles, Bispo pretendia marcar a passagem de Deus na Terra.

Os objetos recolhidos dos restos da sociedade de consumo foram reutilizados como forma de registrar o cotidiano dos indivíduos, preparados com preocupações estéticas, onde se percebem características dos conceitos das vanguardas artísticas e das produções elaboradas a partir de 1960.

Utilizava a palavra como elemento pulsante. Ao recorrer a essa linguagem manipula signos e brinca com a construção de discursos, fragmenta a comunicação em códigos privados.



Inserido em um contexto excludente, Bispo driblava as instituições todo tempo. A instituição manicomial se recusando a receber tratamentos médicos e dela retirando subsídios para elaborar sua obra, e museus, quando sendo marginalizado e excluído, é consagrado como referência da Arte Contemporânea brasileira.

Um detalhe chama a atenção no primeiro prontuário médico escrito sobre Arthur Bispo do Rosário. Descrito como “calmo, de olhar vivo”, com “ares de importância” e “fisionomia alegre”, o paciente também podia associar “ideias com extravagância”.

Não parece o diagnóstico de um louco, mas esse documento atestou loucura suficiente para que o artista sergipano, que morreu aos 80, em 1989, ficasse internado primeiro no hospício da Praia Vermelha e mais tarde na Colônia Juliano Moreira, no Rio.

Encontrado agora, esse prontuário, que será publicado pela primeira vez, é a peça-chave de uma extensa pesquisa da psicóloga Flavia  Corpas e do crítico de arte Frederico Morais- que acaba de ganhar forma de livro.



Entre outros fatos, “Arte Além da Loucura” dá detalhes sobre o surto que levou Bispo do Rosário a ser trancafiado num hospício e sobre sua vida antes, como lutador de boxe e oficial da Marinha.

São dados que dissolvem uma série de mitos, em um momento de redescoberta da obra de Bispo do Rosário, exaltado como figura central da última Bienal de São Paulo e ocupando agora uma sala na Bienal de Veneza, com seus mantos e estandartes.
“Ele não vivia em estado permanente de delírio, sabia das coisas”, diz Morais, em entrevista à Folha. “Essa ideia meio romântica da loucura não existe. Ele sabia o que estava fazendo o tempo todo e se tornou uma figura poderosa dentro do hospital. Há uma ordem interna muito forte no trabalho dele.”

Mesmo que não falasse sobre o passado, detalhes de sua vida estão documentados nos estandartes que bordou: da infância numa fazenda de cacau na Bahia à ida ao Rio como marinheiro, passando por sua carreira de pugilista.

São avalanches de nomes escritos em ordem alfabética, os mais importantes bordados do lado de dentro de seu “Manto da Apresentação”. Além do nome do pai, Bispo lembrou ali alguns adversários que enfrentou no ringue.

LOBO DO MAR
Não eram histórias inventadas. Jornais da época narravam de forma assídua os embates do lutador que nunca foi nocauteado e ficou conhecido como “lobo do mar”, ou “marujo de bronze”, dotado de “dureza granítica”.
Em 1929, reportagem do “A Manhã” descreveu sua primeira luta profissional como “encarniçada”, afirmando que ela “arrancou aplausos pela violência dos lutadores”.

Mas depois que um bonde esmagou um osso de seu pé, Bispo deixou o ringue e foi trabalhar como empregado doméstico na casa da família Leone, uma das mais ricas e poderosas do Rio na época.

Humberto Leone, um dos herdeiros do clã, conta que Bispo era vaidoso e se vestia “com luxo”, usava gravatas de seda e perfume francês.
Isso até o Natal de 1938, quando teve os três sonhos que o levaram a se apresentar num mosteiro como um enviado divino, que veio à Terra numa esteira de nuvens para impedir que o “espírito malíssimo” aqui chegasse.
Naquele primeiro prontuário, estão descritas suas alucinações, entre elas o sonho de uma “chuva de estrelas”, que “explodiam fazendo barulhos incríveis”, como se imaginasse o próprio destino de brilhar noutro ringue.

A obra do esquizofrênico Arthur Bispo do Rosário tornou-se o modelo da arte brasileira de vanguarda no século 20. A sua arte atrai a atenção de especialistas e amadores das artes desde os anos de 1980.


Graças a Instituições como o Museu de Imagens do Inconsciente e ao trabalho de críticos e curadores, sua obra se tornou uma unanimidade, com direito a representar o Brasil na Bienal de Veneza. Bispo é reconhecido como uma espécie de “reencarnação” de aclamados ícones da modernidade.